A vida a 2 não é uma lagoa tranquila, os que vivem uma relação a 2 sabem disso.

Um casal é a reunião de 2 pessoas que se diferenciam com relação a suas: personalidades, crenças e valores, necessidades, percepções de si e dos outros, gestão das emoções e dos conflitos. Um casal não pode ser feliz sem aceitar essas diferenças, mesmo se a reunião dos 2 é a consequência de suas semelhanças.

E muito frequente ver que os casais trazem os problemas pessoais e/ou profissionais para dentro de seus lares. A briga com o colega de trabalho será a causa do mal humor e ao chegar em casa isso terá como consequência uma briga com o companheiro de vida.

Uma falta de auto estíma e de auto confiança será a causa da desconfiança, da necessidade de vigiar o outro e também a causa de crises de ciúmes doentil. E assim que aos poucos o ninho de amor se transforma em pesadelo.

Bem que o amor exista ainda, quantos casais acabaram em momentos de estupidez emocional ou relacional?

Dentre muitos fatores, o sucesso de um casal depende da inteligência emocional de cada um. As competências dessa inteligência emocional podem ser descritas assim:

ter consciência de si, quer dizer, saber identificar suas emoções, necessidades, comportamentos e atitudes na hora das tempestades emocionais. Entretanto, por automatismo, nossa reação primeira é de apontar o erro do outro, de acusá-lo por nossas atitudes.

ser mestre de si, é desenvolver a habilidade de resistir aos terremotos interiores causados por nossas emoções. Essa etapa só pode ser alcançada se soubermos antes identificar e assumir o que se passa dentro de mim. Somente depois poderei transformar as sensações desagradáveis em emoções positivas.

Querer uma relação sã, é ter a motivação de querer o melhor para sua relação, é ainda utilizar essa vontade como guia para nos dirigir no caminho do que nós queremos. E querer transformar os comportamentos que não nos permitem  atingir nosso objetivo primeiro (ser feliz juntos!).

Ser empático, é ser capaz de se colocar no lugar do outro  e de ver o mundo de acordo com sua percepção ou a partir do seu ângulo de vista. É poder aceitar suas necessidades e seus desejos, mesmo quando esses são diferentes dos nossos e que nós nao estamos de acordo com ele. É poder sentir em que estado emocional se encontram as pessoas que nos cercam, mesmo quando elas não verbalizaram.

saber conservar boas relações com os outros, é saber administrar as emoções deles, é aprender a não se sentir pessoalmente atingido mesmo quando as mensagens dos nossos interlocutores não é muito positiva. É desenvolver a capacidade de perceber uma intenção positiva mesmo quando o comportamento é inadequado.

Nesse conjunto de competências, não existe uma que é mais importante que a outra, porém o desenvolvimento de uma poderá desenvolver uma outra. Por exemplo, para ser empático e poder ficar atento às emoções dos outros, é necessário em primeiro lugar poder identificar seus próprios estados emocionais e necessidades. Para conservar boas relações com os outros, é indispensável  estar claro consigo mesmo.

Quais dessas competências fazem parte de seu casal? Qual delas ta faltando?

O sucesso de um casal depende de outros fatores. Por exemplo, em diversas relações, existe uma confusão entre amor e apego ou amor e dependência. Portanto, apego e dependência são 2 elementos que colocam em evidência que a relação é desarmônica e frágil.

Para que um casal seja equilibrado, cada membro tem que contribuir com 50% da relação (vencedor-vencedor). Exite uma relativa igualdade com relação a cada membro (eu sou como você, nem mais nem menos!). Eles vão se completar, mais desde o início eles já sao completos. Esse princípio é o da sinergia, quer dizer que 1+1=3 (eu + você = nossa relação).

O apego e a dependência mostram que um dos membros não contribui com seus 50 %, esperando que o outro traga mais que previsto. A pessoa dependente e “apegada” não adiquiriu auto estíma e autoconfiança e espera que o outro lhe dê o que lhe falta. Uma pessoa que ainda não aprendeu a se amar, será dependente do amor do outro e viverá na expectativa de receber esse amor e no medo de não o receber. Esse tipo de casal encontrará cedo ou tarde um problema.

Mas o que é a dependência afetiva? Na verdada ela é uma forma de imaturidade psicológica, pois a pessoa dependente sofre de uma necessidade excessiva de ser amada e aprovada pelo outro e isso, mesmo que ela “pague” caro.

O medo sentido por essa pessoa vai falsificar sua realidade. Seus pensamentos vão despertar mentalmente cénarios catastróficos, que vão despertar emoções desagradáveis e essas serão manifestadas por comportamentos infantis e conflituais. O outro poderá se sentir sufocado e vai procurar cedo ou tarde a se liberar dessa “prisão”. Ou ele poderá utilizar essa dependência para se favorecer e usar a pessoa dependente como uma marionete.

Seja qual for o tipo de relação, ela não será mais uma relação amorosa e sim uma relaçao tóxica, de dominante-dominado.

“A dependência afetiva é colocar o poder da sua felicidade nas mãos de outra pessoa.” Claudia Rainville

” Viver junto é um aprendizado onde nós podemos crescer, paralisar ou se destruir.” Claudia Rainville

Ter consciência de si, uma das competências da inteligência emocional citada acima, é justamente poder perceber essa dependência em si mesmo, de querer entender de onde ela vem e querer aprender transformá-la em interdependência.

A interdependência é uma força dentro das relações humanas, ela é a etapa da maturidade, onde cada um junta suas forças e combinam seus esforços em busca da felicidade na relação. Porém, somente as pessoas independentes podem se tornar interdependentes. Uma pessoa independente obtém o que ela deseja por seus esforços, elas assumem as responsabilidades de suas palavras e atos. Ela não culpa os outros pelo seu mal humor por exemplo. Ao contrário da pessoa dependente, que para automatismo responsabilisa o outro por seus atos: “por causa de você eu dei aquele escândalo na festa, você não devia dirigir a palavra a tal pessoa!”. Além disso, a ela depende do “amor” do outro para se sentir bem.

Uma relação aonde um dos membros é dependente, é uma relação doente, fraca e em perigo.

“Era o que nos queriamos quando eramos pequenos – ser amados e aceitos exatamente tais como nós eramos, não quando nos tornassemos maiores ou mais magros ou mais bonitos… e nós ainda queremos isso… mais não obteremos do outro enquanto nós não obtivermos de nós mesmos.” Louise L.Hay

Fortalecer sua relação do casal começa primeiro pelo desenvolvimento do seu olhar em direção a você mesmo, tomando consciência dos seus próprios limites, das suas feridas psicologicas (ex: medo do abandono, medo de ser traído(a), medo de ser rejeitado(a), medo da injustiça, querer controlar o outro). E se isso te fizer feliz, é também aceitar que o outro têm também algumas suas feridas!

“A felicidade, é como a respiração: ninguém pode exercer pelo outro e  o outro não pode exercer para conosco.” Claudia Rainville

Nós só temos o poder de mudar aquilo de que temos consciência e para isso é preciso ser uma pessoa independente e responsável por nossas emoções. Culpar o outro pelos nossos sentimentos nos mantêm em um diálogo de surdos. Visualizar a felicidade da relação somente com a mudança do outro é prova de falta de maturidade e independência. E se manter na fase de dependência.

Além desses fatores, uma relação de casal harmoniosa deve integrar uma comunicação respeitosa. Para isso é indispensável aprender a usar palavras adequadas, verbalizando seus próprios sentimentos e suas próprias necessidades e por último, fazendo pedidos claros e precisos ( “eu me sinto irritado nesse momento porque preciso de tranquilidade para trabalhar no meu documento, você pode passar o aspirador daqui meia hora, quando eu tiver acabado?” Ao invéz de “você me irritar por passar esse aspirador quando eu estou trabalhando!”)

Nós temos o hábito de querer que o outro adivinhe o que se passa pela nossa cabeça, que ele adivinhe o que sinto e o que desejo. E o pior é que esperamos que o outro adivinhe o que nós mesmo ainda não identificamos com clareza! Esse tipo de erro é também uma das causas de conflitos de muitos casais. Nós supomos que o outro nos conhece bem e que então eu não precise de explicar o que eu quero realmente.

O problema é que essa expectativa de querer que outro adivinhe o que eu quero pode gerar frustrações, que por sua vez serão manifestadas de maneira indelicada e ser assim, um motivo de conflitos e brigas. Por exemplo, a esposa colocou as roupas na máquina e foi fazer compras. Ela esperava que quando voltasse as roupas estivessem estendidas e fica com raiva ao perceber que isso não ocorreu. Dali, uma briga pode surgir e eles vão passar um final de semana de cara emburrada um para o outro. Esse exemplo pode parecer medíocre, mais ele da uma ideia dos nossos comportamentos automáticos e que envenenam nossas relações.

Quais dessas competências emocionais você dispõe?

Quais das suas feridas psicológicas afetam mais o casal?

Quais são suas necessidades essenciais para uma vida feliz? (atenção, segurança, se sentir amado, diversão, liberdade (a não ser confundida com libertinagem), calma, compreensão…?)

Quais competências emocionais o seu casal precisa de desenvolver?

Como você vive, no quotidiano, a falta dessa (s) competencia(s) emocional?

Que tipo de comunicação é usada pelo casal (respeitosa? apontando os defeitos de cada um? agressiva? …?)

Como vocês falam sobre os problemas vividos dentro e fora da relação?

“Ninguém pode convencer o outro de mudar, cada um guarda essa porta da mudança que só pode ser aberta do interior, ninguém pode forçar a porta do outro com argumentos, nem recorrendo as emoções.” Marilyn Fergusson

Texto de Sherlla Oliveira

Experte em estratégias de mudança

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